#CríticaConstrutiva : BAND precisa de direção e precisar voltar a fazer TV aberta com mais “sangue no olho”

O aniversário de 52 anos da Rede Bandeirantes de Televisão está próximo; acontece no dia 13 de maio, mas, desde quando o filho (Johnny Saad) assumiu, em 1999, a presidência do grupo fundado pelo seu pai, João Jorge Saad, a Bandeirantes passou a trilhar um caminho um pouco diferente. Até certo ponto esse caminho estava bom, mas a partir de determinado momento, esse caminho não era mais razoável e acabou chegando na situação atual que a empresa se encontra, onde as irmãs Márcia e Maria Leonor Saad, questionam na justiça, com razão, a competência da gestão de Johnny Saad na presidência do conglomerado.

Em 2003, para enfrentar uma crise, que foi iniciada em 2000 em virtude de uma disputa familiar pelo comando da empresa que causou um recuo do mercado publicitário, a presidência encontrou no arrendamento do horário nobre (21h) para o missionário R.R. Soares, um respiro e mais dinheiro em caixa novamente. Acontece que isso criou um acômodo por parte de seu avantajado corpo executivo. Muitas vezes, alguns executivos que passaram pelos cargos de vice-presidência e diretoria, tentaram explicar e mostrar para o presidente do Grupo Bandeirantes, que o arrendamento do horário nobre era uma “faca de dois gumes“, porque, ao mesmo tempo que rende muito dinheiro para os cofres da emissora, também tira ela de campo, na batalha de audiência do horário mais importante da televisão brasileira e principal alvo do mercado publicitário nas emissoras, além de sempre prejudicar a audiência de qualquer nova atração de alto investimento que venha compor a sua linha de shows.

Atualmente os grandes grupos de comunicação e as emissoras de televisão precisam mudar sua maneira de fazer televisão, se adequando a um modelo que não dependa de verbas do governo, mas sim da eficácia de sua própria estratégia de gestão para elaborar uma programação que seja atrativa, tanto para o público (audiência), quanto para o mercado publicitário (comercialmente).

Também existe a necessidade de as TV’s (grupos de comunicação) se modernizarem e se adequarem as novas tecnologias, reagindo ao avanço da concorrência protagonizada pela internet e pelas opções de conteúdo oferecidas pelas diferentes plataformas/aplicativos digitais, para que a televisão aberta comum não seja totalmente sucumbida.

Por muito tempo, a Band vem trilhando um caminho de declínio por conta de sua falta de direção, seja por decisões ou apostas em negócios que possuíam mais riscos de levarem ao fracasso do que ao sucesso. Temos exemplos como os negócios de fibra ótica para TV a cabo no nordeste, com a Sim TV, ou a Fórmula Indy no Brasil ou a onerosa parceria com a Globo para os direitos de transmissão dos mesmos jogos que já eram transmitidos por eles, sem a possibilidade de exclusividades ou transmissão em outras plataformas – emissoras afiliadas – TV por assinatura. Outro fator que trouxe a crise e a dificuldade de agora da emissora, foi entregar sua direção artística e de programação nas mãos de estrangeiros, que possuem em seus currículos a depauperação de uma famosa emissora na argentina, a TELEFE. Por um tempo, esses estrangeiros contribuíram trazendo novos ares e adaptações de formatos gringos para a Bandeirantes, porém, durante o tempo que os argentinos estiveram na direção da Band, não se investiu no crescimento da produção própria da emissora e, investimentos em teledramaturgia (área que a Band quando colocou a mão na massa, fez com maestria e propriedade) foram abolidos em detrimento de parceria com a Globo para exibir futebol. Além do que, alguns desses estrangeiros, na verdade, apenas usaram a Band para projetar suas produtoras, para depois faturar muito com a venda delas para a WarnerMedia.

A Band adquiriu, durante a década de 80, uma tradição em esportes e, isso, de fato, ajudou muito o canal a enfrentar as crises, mas, naquela época, não existia TV por assinatura e os outros canais não tinham interesse em focar seus investimentos totalmente nos esportes. Hoje o cenário é muito diferente e a concorrência é maior com outros veículos que possuem condições melhores para adquirir direitos sobre as modalidades esportivas que mais rendem audiência. E no Brasil todos sabem que a modalidade esportiva que rende mais audiência ainda é o futebol. Atualmente é arriscado para uma empresa como a Band focar todos os seus investimentos em direitos e exclusividades para a transmissão dos principais campeonatos de futebol do Brasil, primeiro por conta da concorrência que tem mais poder de fogo e pode oferecer mais e, segundo, porque não é possível considerar vantajosa uma parceria com uma emissora concorrente na TV aberta. Obviamente, se a Globo fosse uma pessoa, ela seria uma pessoa egoísta, que compartilha com a sua “colega”, Band, apenas os restos e o que não vai render, para a sua “querida amiga e parceira”, escolhas, vantagens, concorrência igualitária ou audiência.

No meio da década de 90, quando o fundador do Grupo Bandeirantes, João Jorge Saad, percebeu que não era saudável a Band se focar apenas na busca por um público masculino – em virtude das dificuldades que já estavam por aparecer naquela época – como surgimento de maior concorrência no campo dos direitos esportivos, optou-se por um reposicionamento de marca da emissora, que passou a focar e investir em um público mais eclético, que incluísse mais as mulheres e as crianças, então voltou-se a investir em teledramaturgia, programas infantis, femininos e etc. Após a morte de João Jorge Saad, seu filho até procurou continuar com a mesma filosofia de gestão, quando reativou o núcleo de dramaturgia com a novela Floribella em 2005, mas alguns anos depois (2008) voltou a repetir o erro que seu pai já havia consertado em 1995, que foi o de extinguir esse setor de produção de novelas da emissora para focar na “parceria” com a Globo para exibir futebol, ou melhor, servir como segunda tela para os mesmos jogos que a Globo estava transmitindo. Essa decisão não foi totalmente ruim porque serviu para manter com a emissora um público com o qual ela construiu uma tradição, mas, o modelo dessa parceria era tão absurdo que nenhuma das outras concorrentes (Record TV e SBT), se interessou, porque era restritivo demais. E foi um erro abrir mão de produção de novelas porque o Brasil é o maior exportador desse tipo de produção. É certo que algumas novelas da Band não renderam um grande êxito no quesito audiência, apesar de algumas delas terem recebido um alto grau de investimento e isso realmente causou prejuízos. Mas uma novela brasileira, além de ser uma paixão nacional, também é o símbolo de independência de produção de uma emissora, no que diz respeito a produção de conteúdo, e não é algo para se desistir no primeiro sinal de fracasso. Podemos citar exemplos de novelas que basicamente reergueram emissoras em momentos delicados e de forte concorrência, como: Beto Rockfeller (Rede Tupi), Redenção (TV Excelsior), Pantanal e Xica da Silva (Rede Manchete), Roque Santeiro/Vale Tudo e O Clone (Rede Globo), Prova de Amor e Os 10 Mandamentos (Record TV), Éramos Seis e Carrossel (SBT) e também na própria Rede Bandeirantes com Cara a Cara (1979), Os Imigrantes (1981), Perdidos de Amor (1996) e Floribella (2005). Vale destacar também que, segundo o colunista Flavio Ricco, do UOL, o próprio Johnny Saad (atual presidente do Grupo Bandeirantes) considera que uma emissora precisa ter uma novela em sua grade de programação sempre.

Quando dizemos que a Band precisa de direção, no título deste artigo, estamos nos referindo a estratégias e planejamentos para a montagem de sua grade de programação, que precisa funcionar como um mecanismo de engrenagens. E por muitos anos, não é percebido isso na grade de programação da Bandeirantes. Outra expressão que usamos no título do artigo é voltar a fazer TV aberta com mais “sangue no olho”, onde estamos nos referindo ao profissionalismo, competitividade e capacidade de reação ágil da emissora perante aos ataques e vitórias da concorrência. E também utilizamos a frase “voltar a fazer TV aberta“, porque há muito tempo, as ideias para produções e atrações na programação da emissora são mais adequadas para um público de TV por assinatura do que para o público de TV aberta, que são bastante distintos no que se refere as suas preferências na televisão.

Começando pelo tema “voltar a fazer TV aberta com mais sangue no olho”, podemos usar como exemplo o horário do fim da madrugada (4h ou 5h da manhã), que trata-se de um horário onde grande parte do público (principalmente o paulista da Grande São Paulo – coração do mercado publicitário do país), já começa sua rotina mais cedo e, demanda por informações e jornalismo, então, observando essa demanda, duas concorrentes da Bandeirantes já correram para atender esse público, e seus resultados são bem satisfatórios no que diz respeito a audiência, a ponto de alavancar as suas programações da manhã, enquanto que as outras concorrentes, (como a própria Band) e Record TV, resolvem “despertar” e começar a sua programação de fato apenas às 06h. A Bandeirantes precisa de direção e de mais competitividade para saber obter vantagem em cima da fraqueza ou do ponto fraco de suas concorrentes, ou seja, a Record TV sendo uma concorrente da Band, e possuindo esse ponto fraco, que é a impossibilidade de tirar do fim da madrugada os concessionários religiosos (porque ela depende totalmente deles para sustentar boa parte de sua estrutura) e que dão traço de audiência, era nesse momento que uma direção da Bandeirantes deveria desenhar uma grade estratégica para esse horário, para que quando a concorrente voltasse ao ar às 06h da manhã, a Bandeirantes já estaria pontuando e dificilmente seu público mudaria de canal. Mas até agora a Band não se aproveitou desse ponto fraco de sua concorrente, e isso expressa inércia, falta de visão, falta de direção, além da falta de competitividade. Enquanto a Band não aproveita essa fraqueza da Record TV, a suposta existência de sua direção acredita ser melhor ficar reprisando Jogo Aberto e Os Donos da Bola de São Paulo durante sua madrugada, o que expressa a continuidade mal planejada e a elaboração de uma programação baseada em uma modalidade esportiva que a Band não tem direitos de transmissão por tempo indeterminado.

Outro momento da programação da Band que expressa essa falta de direção, é o horário do almoço. A Bandeirantes é uma das emissoras que possui um dos jornalismos mais reconhecidos do país, e como que pode uma emissora com um porte jornalístico como o da Band não ter em sua grade de programação um telejornal durante o horário do almoço? Quando o Café com Jornal acaba às 9h da manhã, a Band só volta a ter jornalismo às 16h, com o Brasil Urgente, e para ser mais preciso, é um jornalismo policial. Então, se alguém sugere que a Band deveria colocar um jornal na hora do almoço, chega o departamento comercial e diz que não se pode diminuir o tempo de duração de um dos programas esportivos seguidos, que fazem parte do mesmo segmento, porque ambos trazem um grande faturamento comercial. Tudo bem, mas e a necessidade de planejamento e desenho de grade, onde o departamento comercial coloca? Qual é a necessidade de dois programas seguidos sobre o mesmo tema, quando a Band é uma emissora que não tem direitos de transmissão de futebol brasileiro? Posto isso, de que adianta a emissora continuar pautando sua programação no futebol sendo que, não possui condições financeiras de adquirir direitos de transmissão da modalidade esportiva que rende melhor audiência para a televisão e também não tem parceria com a Turner para exibir o Brasileirão (o que seria um bom negócio já que a Turner não possui canais que são concorrentes da Band na TV aberta). Tudo bem que existe público e existem anunciantes para os programas esportivos do almoço, mas uma simples incorporação de um programa no outro já absorveria anunciantes e liberaria espaço para um informativo de jornalismo. Se o Melhor da Tarde recebesse de um telejornal (que possui um público mais variado que o do programa do Neto), não ajudaria Catia Fonseca a ter um desempenho diferente e até mesmo melhor de audiência nas tardes?

Alguns diretores de esporte (José Emílio Ambrósio) e apresentadores (Neto) da Band precisam ter a noção de que a Globo não é “amiga” da Bandeirantes (é concorrente) e nunca fará caridade de ceder gratuitamente a transmissão de jogos dos campeonatos de futebol que mais rendem audiência para a televisão. Eles precisam entendem que a Bandeirantes necessita, primeiramente, de se fortalecer e crescer como emissora de TV aberta, (porque a TV aberta é o coração do Grupo Bandeirantes). Eles precisam entender também que a Bandeirantes precisa ter uma programação forte e independente de esportes (os quais ela não tem direito de transmitir). Os esportes devem servir como um “plus” e como conteúdo para o canal BandSports. Não deve ser levado em consideração o que colunistas como Flavio Ricco do UOL dizem, porque esse colunista em especial, o tempo todo demonstra seu favoritismo com a Rede Globo de Televisão, quando ele coloca uma lente de aumento nos problemas e defeitos (as vezes até de detalhes supérfluos) de emissoras concorrentes da Globo, e dos problemas e defeitos da Globo, ele faz vista grossa descaradamente em sua coluna. Um colunista assim acaba vendo sua credibilidade percebida de modo dúbio por parte de leitores com uma linha de raciocínio mais isenta e imparcial, porque, a partir do momento que só se destaca ou se comenta sobre os problemas, equívocos, distorções e até a repercussão de fake news de todas as concorrentes da Globo, e nunca uma crítica ou uma exposição de algum problema ou equívoco da Globo (que não é santinha e nem perfeita), fica perceptível a maneira tendenciosa e parcial de suas análises e colocações, logo, quando o colunista do UOL bate sempre na ultrapassada ideia de que a Band deveria seguir “sua tradição nos esportes”, ou modo de fazer TV dos anos 80 e 90, ele automaticamente está reduzindo a capacidade da emissora a apenas essa função na TV, de ser “canal dos esportes”, e que não deve ousar, sair da caixinha, tentar crescer e conquistar novos públicos, e sim apenas se limitar a ser parceirinha (ou ser a segunda tela escravinha?) da Globo (emissora favorita do colunista Flavio Ricco, do UOL) para a transmissão de futebol brasileiro. Ou seja, ele não analisa cada emissora de modo particular, considerando ou destacando seus acertos, conquistas e erros em todas as áreas, pra ele cada uma deve servir o público com um produto principal apenas (talvez porque ele não conheça profundamente a verdadeira história de cada uma das emissoras, e sim só da Globo, a qual as cores de fundo de sua logomarca também servem como plano de fundo da capa do livro do colunista sobre “história da TV”, ou seria “história apenas da Globo”?), ou talvez porque ele pense não ser interessante destacar os momentos, vitórias ou conquistas históricas das outras emissoras em cima da emissora favorita dele. Os leitores mais atentos e críticos sobre televisão conseguem perceber as diferenças de isenção entre colunistas como Flavio Ricco e Daniel Castro, este último que elogia igualmente quando tem que elogiar e não poupa nenhuma quando tem que criticar. Quando dizemos que a direção da Band não deve levar em conta as colocações deficitárias de isenção do Flavio Ricco no que diz respeito a Band, estamos dizendo que as análises desse colunista em especial em relação a Band não condizem com o que realmente é o melhor e mais adequado a se fazer em relação a emissora, porque no pano de fundo das colocações dele, só está sendo considerado o que de fato será mais vantajoso para a emissora favorita dele, que é a Globo, e não a Bandeirantes. E você leitor pode ter a certeza absoluta de que essa opinião sobre esse colunista não é exclusiva de quem está escrevendo esse artigo, e sim de muitas outras pessoas que não são alienadas pelas publicações do UOL/Grupo Folha. Aliás, é um tanto estranho  o UOL, que é um grupo concorrente do Grupo Globo, ter tantos colunistas que apenas servem para passar pano em qualquer coisa da Globo. Mas cá entre nós, já deu pra perceber também que tanto os diretores e executivos da Band quanto de outras emissoras já não dão a mínima para o que os colunistas do UOL e bajuladores da Globo falam.

Analisando o horário nobre da Band, percebemos a total coerência do título de nosso artigo, porque é neste momento que ele se testifica. Como já comentamos nos primeiros parágrafos de nossa crítica, há 16 anos, a Band possui um concessionário religioso no horário mais importante para a TV brasileira, o que já afasta a emissora do páreo e de uma disputa que poderia ser mais facilitada, por, no mínimo, uma vice-liderança de audiência. Mas, além disso, agora a direção da Bandeirantes decidiu que sua linha de shows comece mais cedo, às 22h, e não mais as 22h30 ou 22h45. Essa ideia de não fazer uma programação em função do término da novela da concorrente seria ousada e interessante se não existisse um concessionário religioso às 21h05, derrubando a audiência da Band para um abismo infernal. Seria interessante se a Band tivesse uma dobradinha de novelas nesse horário nobre (nem que fosse reprise de uma própria novela da Band), porque a audiência poderia se manter, e, caso não saibam, existe uma boa parte do público que não se importa e não assiste a novela da Globo no horário nobre, e a Band poderia disputar uma fatia desse público, sim. Para cometer um “sincericídio”, podemos dizer com toda certeza que: a Globo só continua “imbatível” na liderança em audiência graças a incompetência, acômodo, conformismo e amadorismo de suas concorrentes. . É fato que o concessionário religioso rende para os cofres da Band uma quantia importante, mas sua permanência também resulta em prejuízos para a audiência da programação no horário mais importante, que poderia estar contando também com anunciantes e, consequentemente, não prejudicando atrações e produções que venham a integrar a linha de shows. Também poderia estar tomando uma distância maior da concorrência com a Rede TV! no horário nobre, porque, enquanto eles entrassem no ar com o concessionário religioso, a Band continuaria com sua programação e continuaria pontuando para entregar melhor para a linha de shows (isso é tão elementar). Basicamente todas as atrações da linha de shows da Band sempre foram prejudicadas pelo horário alugado para o missionário, desde 2003. O que deveria ser um respiro provisório e uma medida desesperada mas temporária, acabou se tornando definitiva. Podemos citar alguns exemplos de atrações que foram prejudicadas pelo arrendamento do horário nobre da Band para a igreja: Boa Noite Brasil, Top Cine, a reexibição de Mandacaru (sucesso de novela da extinta Rede Manchete), a novela (produção nacional da Band em parceria com a RTP de Portugal) Paixões Proibidas, CQC, Uma Escolinha Muito Louca, Toda Sexta com Adriane Galisteu, A Liga, Polícia 24h, X Factor Brasil, Pesadelo na Cozinha, A Primeira Vista, Exathlon Brasil, a série da Telemundo “Senhor dos Céus“, MasterChef Brasil, Quarta no Cinema, Música na Band e mais recentemente O Aprendiz (com influenciadores digitais) com Roberto Justus. Todas essas atrações e produções sempre foram afetadas e prejudicadas por receberem a audiência do programa da igreja, no traço. Alguns conseguiram se superar, e minimizar os estragos causados pelo programa da igreja, casos como o CQC (antes do desgaste da fórmula) e MasterChef (até 2017), mas é de se pensar como seria realmente a audiência dessas atrações se nunca recebessem de um concessionário religioso que ninguém assiste. Atualmente o produto mais prejudicado é essa nova versão de O Aprendiz na Band, porque veio exatamente no momento que a sua suposta direção decidiu mudar o início da linha de shows das 22h30 para às 22h, no corte seco e direto do programa da igreja para o reality, o resultado foi que agora tentam improvisar colocando no ar, às 22h, um “bastidores” do programa, e o episódio começando efetivamente às 22h30, mas o resultado em audiência não se alterou. Conclui-se que, faria mais sentido puxar a linha de shows para mais cedo se ela não fosse antecedida por um programa religioso que dá traço no Ibope, e nem o VideoNews adiantou para tentar chamar novamente a audiência. Ou seja, ou tira, ou muda para a madrugada, ou vai sempre continuar fazendo boas produções floparem na linha de shows e assim nenhum anunciante interessante vai arriscar patrocinar atrações que são boicotadas pela própria grade de programação do horário nobre do canal. Ah, e o pior, assim, com R.R. Soares no horário nobre, vai continuar sendo atropelada pela linha de shows da Rede TV! todos os dias da semana, porque lá, eles voltam com a programação antes da Band, às 21h30. Seria mais plausível se Johnny Saad cobrasse do missionário R.R. Soares, no mínimo, uns 50 milhões mensais, para compensar os prejuízos altíssimos causados pelo religioso, que a emissora tem de arcar com a desvantagem em relação as concorrentes na audiência durante a semana inteira, já que não há maneira de contar mais com verba publicitária do governo e também pelo fato de a igreja do missionário operar milagres, então, o que é pagar 50 milhões mensais pelo horário nobre da Band, para a igreja dos milagres?

Desenvolvendo a parte do título do artigo que trata de a Band voltar a fazer TV aberta, é importante começar destacando apostas mal planejadas e mal estudadas de formatos na linha de shows que não servem para o público de TV aberta. Retrocedendo no tempo, quando o ex-diretor da Globo, Walter Clark (parceiro de Boni, na elaboração do “padrão Globo de programação”), foi demitido da Bandeirantes durante a década de 80, porque suas ideias tinham cunho de qualificação do nível de programação da emissora, ele começou extinguindo programas mais popularescos, além de programas de auditório e femininos, e começou a focar apenas em documentários, filmes cult, jornalismo e o resultado foi que a audiência da emissora, naquela época, começou a despencar. Para tentar conter a queda de audiência (uma vez que a Bandeirantes, naquele momento, era a única concorrente da Globo), resolveram demitir Walter Clark, e voltar com uma programação mais popular, assim a audiência foi voltando. Então depois desse ocorrido, podemos relembrar e trazer uma reflexão importante sobre televisão, feita pelo fundador do Grupo Bandeirantes, João Jorge Saad, naquela época, que ainda vale para os dias atuais. Na reflexão, o “seu João” entendeu que: “Se elevar muito o nível, não haverá audiência.“. O que podemos ver hoje em dia na Band, é semelhante ao que ocorreu na ocasião que culminou na demissão de Walter Clark da emissora, considerando que, nos últimos anos, a “direção” da Band usou a linha de shows como “cobaia” para alguns tipos de formatos, que qualquer um consegue perceber que não servem para a TV aberta e, muito menos para a linha de shows de uma emissora que possui em seu horário nobre um concessionário religioso, que quase ninguém assiste porque dá traço de audiência. Formatos que não servem para a TV aberta e que a “direção” da Band, sem estudo nenhum de público, insiste em continuar tentando: Shark Tank Brasil (pela audiência em comparação com as concorrentes) é possível perceber que o público não dá a mínima e prefere assistir o programa de um projeto de apresentadora da concorrência.; 1 Por Todos (o formato era interessante e tinha patrocínio/anunciante, porém do começo ao fim, foi um desastre de audiência e no dia e hora errados ainda, nas noites de segunda-feira. O público de TV aberta não está nem aí para um reality de empreendedorismo, apenas para realitys de confinamento, programas de palhaçadas e de fofocas de subcelebridades); A Primeira Vista (era uma boa produção, mas é um formato totalmente clichê e desgastado para ser um programa da linha de shows, serviria mais para ser um quadro de algum programa de entretenimento); Quem Pode Mais? (foi um programa apresentado por Daniella Cicarelli que não foi ao ar no horário nobre e sim nas tardes de domingo em 2008, mas entra na lista de programa que não deveria ter sido um programa sozinho, e sim um quadro de algum programa apresentado por algum(a) comunicador(a) famoso(a)); A Fuga (é um formato espetacular, mas que deve ser utilizado apenas como quadro de games em um programa de variedades e entretenimento e não como programa sozinho em alguma noite da linha de shows diária. Que a Band não cometa esse erro primário e amador); Show Business e Canal Livre (claramente esses dois programas não servem para o público de TV aberta e sim para um canal por assinatura apenas, como o BandNews. Basta observar seus índices de audiência baixíssimos na TV aberta e principalmente em São Paulo); NBB (com índices de audiência sempre pífios nas tardes de sábado na grande São Paulo, poderia estar apenas no canal BandSports e ser transmitido também pelo Facebook do canal de esportes do grupo); Rolland Garros e Fórmula Indy (o torneio de tênis só alcança alguma audiência em sua final | Com relação a Fórmula Indy é igual, apenas o GP de Indianápolis rende alguma audiência na TV aberta / ambos deveriam estar apenas no canal BandSports); Superpoderosas (Foi um programa que foi originado na internet e levado para as manhãs diárias da TV aberta, mas seu fim foi compreendido justamente por não ter um conteúdo e uma linguagem que o público daquele horário de TV aberta pudesse realmente se identificar. Na teoria era a promessa de um novo TV Mulher, na prática, parecia um “primo pobre do Encontro com Fátima Bernardes”, aproveitando parte do cenário do Melhor da Tarde da Catia Fonseca, o programa também não tinha apelo popular e não alcançava seu público alvo, que se concentrava apenas na TV por assinatura. Um fiasco do começo ao fim na audiência.); Supersérie mexicana da Telemundo, Senhor dos Céus (A série era sobre uma história interessante e possuía diversas cenas picantes apropriadas para o seu horário de exibição, a partir das 22h30, porém o publico brasileiro de TV aberta valoriza mais produções nacionais no campo da dramaturgia, e o tema da série já era um pouco datado para 2018. A série sempre perdeu em audiência para um programa de um projeto de apresentadora da concorrência, assim, o público deixou claro para a direção da Band sobre o que prefere assistir na TV aberta. ); Show do Esporte – 2018 (O diretor Celso Tavares foi escolhido para tocar o projeto do retorno remodelado do Show do Esporte, para ocupar as noites de domingo, que também é um horário nobre na TV brasileira. O programa era uma mescla de entretenimento – show, com esportes, preservando um pouco da essência do debate futebolístico do Terceiro Tempo, mas com a inclusão de comentarias femininas. A proposta não era ruim, mas não agradou o público e o resultado foi desastroso em audiência. Muitos críticos comentaram que era um erro fazer Milton Neves comandar um programa que continha variedades e que a “praia” dele é o formato do Terceiro Tempo apenas. O horário também não era o melhor, indo ao ar a partir das 20h, o que deixava o programa atrasado em relação aos “lances” dos jogos de futebol que ocorrem na tarde de domingo, ou seja, basicamente fazendo com que a grade dominical da Band tivesse que ser moldada em função do término da transmissão do evento esportivo na emissora concorrente. O conceito do programa funcionaria em um canal fechado como o BandSports, mas evidentemente não funcionou na TV aberta, tanto que agora o Terceiro Tempo retornou exatamente no horário que dizem ser o mais apropriado, porque está em função do término da partida de futebol na emissora concorrente. Mas a grade de programação dominical da Band continua com algumas incoerências, como por exemplo, dois programas sobre o mesmo tema, “futebol”, às 14h com o Band Esporte Clube e as 18h com o Terceiro Tempo. Pra quê tanto programa esportivo no domingo pra uma emissora que não tem condições de ter os direitos de transmissão dos campeonatos de futebol brasileiro que mais rendem audiência? Por quê manter esse vício e esse tipo de programação dependente de um futebol que não tem direitos de transmissão?.)

Não é possível que, com tantos diretores e executivos que a Band tem, ninguém ainda tenha conseguido pensar no bem da empresa como um todo e em alguma atração que conquistasse faturamento e audiência para a emissora no horário nobre, a ponto de poder cobrir a diminuição do valor pago pelo missionário R.R. Soares em uma eventual transferência de seu horário arrendado, para a madrugada. É de se pensar que, ou quem dá as cartas na alta cúpula da Band é o missionário e não o seu próprio presidente (aí está uma das razões para as irmãs de Johnny Saad questionarem a gestão de seu irmão na presidência do conglomerado…), ou existem cabides de emprego dentro da emissora que justifiquem a sua grande quantidade de diretores, executivos e caciques que estão lá apenas para “enfeite”, onde um bando de amadores querem mandar mas não existe ninguém para obedecer, ou ninguém para vestir a camisa da empresa e pensar por ela. Não existe um trabalho em equipe para fazer o canal reagir em relação a concorrência, produzindo realmente televisão ou respirando televisão, de modo profissional (como detestamos admitir, mas é o que a Globo faz). Foi-se o tempo que existia a ajuda de verba publicitária do governo para respirar com tranquilidade no faturamento da empresa. Agora os milhares de diretores e executivos da Band precisam colocar a mão na massa, mostrar a que vieram para justificarem seus altos salários além de começarem a reinventar e reposicionar novamente a marca da Bandeirantes, fazendo uma televisão de padrão profissional, além de ser atrativa comercialmente e realmente atrativa para o público de TV aberta, sem precisar alugar ou vender horários para conteúdos que o público não assiste (visando apenas faturamento sem estratégia de programação). A alta cúpula da Bandeirantes precisa pensar da seguinte forma prática em relação aos seus diversos executivos e diretores: “Quem não tem competência, não se estabelece! Ou ajuda a executar e produzir resultados exitosos e bem planejados para ontem, ou é rua!. A Bandeirantes precisa voltar a produzir conteúdo de teledramaturgia nacional, porque isso traz prestígio, respeito, além de mostrar empenho da emissora, nem que seja em parceria com produtoras (c/ exceção da Casablanca). Os administradores do Grupo Bandeirantes precisam entender que tanto o grupo quando a emissora precisam construir ou contar com uma estrutura física maior, como um complexo de estúdios, para comportar e acomodar as necessidades de produção da emissora aberta e também dos outros canais do grupo, e até mesmo para produzir novelas e séries, seja em São Paulo ou no Rio de Janeiro, porque apenas a matriz e sede do grupo no bairro do Morumbi, em São Paulo, não são suficientes para uma emissora do porte e com a história da Bandeirantes. Bandeirantes precisa se mexer, reagir e parar de se portar como um canal de TV por assinatura de São Paulo. A Band precisa melhorar seu próprio marketing, precisa fazer divulgação pesada de seus produtos e suas produções, divulgando em revistas, jornais, outdoors, banners, ônibus, além de aproveitar que a Band FM é líder de audiência e comentar sobre a programação da TV aberta. A Bandeirantes precisa fazer marketing agressivo e combativo. É inadmissível que a Bandeirantes, tendo um grande potencial para ser uma emissora que poderia disputar, em pé de igualdade, a vice-liderança com Record TV e SBT, ficar se portando e se contentando com a mediocridade de tentar se manter no 4º lugar no ranking de audiência das emissoras, sofrendo, com muito custo, pra não ser ultrapassada por uma Rede TV! da vida.

Emissora que tem executivos e diretores que não conhecem a história da própria empresa na qual trabalham, tendem a cometer os erros primários de outrora.

 

  • As opiniões expressas neste artigo podem, ou não, expressar a opinião de toda a equipe do Fã-Clube Band.