#MemóriaBAND: O lendário #ClubeDoBolinha abria espaço para a diversidade na televisão brasileira

Apresentado pelo sírio e ítalo-brasileiro, Édson Cabariti, (nome artístico Édson Cury ou Bolinha) (16/07/1936), o “Clube Do Bolinha” era o sucesso das tardes de sábado da TV Bandeirantes, se tornando um dos programas líderes de audiência na emissora. Bolinha ganhou seu apelido logo na infância. “Desde criança eu era gordinho, caía e rolava. Eu não gostei do apelido, reclamei, mas ficou“, disse à Folha em uma entrevista publicada em setembro de 91. Bolinha faz parte do hall dos gênios e ícones da comunicação por ter sido uma referência no quesito “Apresentador carismático da televisão brasileira” e por toda a sua humildade e simplicidade. A importância e relevância de Bolinha para a história da TV brasileira é a mesma de outras grandes lendas como Chacrinha, Silvio Santos, Flávio Cavalcanti, J. Silvestre e Hebe Camargo. O jeito, carisma e estilo descontraído de Bolinha inspira muitos apresentadores até hoje, como Ratinho (Carlos Massa), Gilberto Barros e Raul Gil.

Édson iniciou sua carreira como locutor esportivo após ter feito os popularmente chamados “bicos”, como feirante, engraxate e balconista.

A carreira como comunicador começou em 1958, na rádio Cultura de Araçatuba. Em maio de 63, Bolinha chegou a São Paulo. Passou pela rádio Excelsior e foi logo transferido para o “cast” televisivo da emissora.

Na extinta TV Excelsior, Édson Cabariti começou como o responsável pelos flashes esportivos do programa Últimas Notícias. Após despontar como apresentador do “Reis do Ringue“, o artista ganhou seu programa de calouros “A Hora do Bolinha“. Era dezembro de 66. O sucesso foi instantâneo. Até o fim dos anos 60, “A Hora do Bolinha” foi um dos dez programas mais populares da TV brasileira. Essa estreia como apresentador de programa de auditório ocorreu quase por acaso, em janeiro de 1967: convocado a substituir Chacrinha, que havia se desentendido com os diretores da emissora, Édson Cury não apenas levou o programa adiante como também aumentou a sua audiência. Revelou muitos talentos tais como Eneida Laís, Margareth, Ítalo Ayala e Jarbas Piccioli – todos cantores de altíssimo padrão.

 

Já na TV Bandeirantes em 73, uma das atrações do Clube era o quadro Eles e Elas, no qual apresentavam-se talentos do universo LGBT. Os mais variados artistas tais como Alan & Aladim, Leandro & Leonardo e Arnaldo Antunes voltaram ao programa após a fama, para agradecer ao programa bem como ao próprio Bolinha pelo apoio no início de suas carreiras.

Na Bandeirantes, Bolinha apresentou o programa até 1994, porém houve um “período sabático” entre 80 e 82. Foi na Bandeirantes, onde o programa se chamou “TV Bolinha” e “Clube do Bolinha”, que as camisas estampadas do apresentador se tornaram uma marca. “Odeio camisa para dentro da calça“, dizia. Pois usava suas 150 camisas de seda para fora mesmo. A moda pegou. “No último aniversário, ganhei 34“, disse em 91.

Apesar de sua simpatia e carisma extremos como apresentador, Bolinha era bastante rígido e sério em relação ao seu trabalho, onde sempre prezava a disciplina, o empenho e a dedicação de todos os envolvidos. De acordo com declarações de sua filha, Vitória Cury, Bolinha era genioso e perfeccionista em relação ao seu trabalho.

 

Abaixo você confere um vídeo extraído da plataforma do YouTube, onde ocorre a performance de Drag Queens, transformistas, travestis, que participavam do quadro “Eles e Elas” – espaço especial que Bolinha sempre abriu em seu programa, sendo também um dos poucos apresentadores a fazer uma abordagem com essa temática que naquela época (quando começou na Band na década de 70) eram modernas demais para a TV brasileira:

 

 

Bolinha marcou como apresentador por conta de sua irreverência e por sempre usar camisas estampadas e coloridas também. No vídeo abaixo extraído do YouTube, conferimos uma das aberturas do programa no fim da década de 80, onde aparece o Bolinha utilizando as suas típicas camisas extravagantes e algumas “Boletes” – (as dançarinas do Clube). A música de abertura foi criada por Raul Gil e doada ao Bolinha, para servir de tema de abertura de seu programa na Bandeirantes:

 

 

 

A maior marca do Clube do Bolinha era o elenco de bailarinas, conhecidas carinhosamente como “Boletes”. O elenco de “Boletes” era composto também por algumas ex-chacretes (ex-dançarinas do Chacrinha).


Imagem extraída do Google Imagens

No vídeo acima, foi possível conferir nos créditos do programa, o nome de algumas Boletes, que fizeram parte do programa naquela época. Uma das mais conhecidas era a “Zulu” (Cleusa), que em hipótese alguma sorria, seguindo apenas na execução de sua coreografia com um ar sério e sisudo, mesmo com as graças e micagens do apresentador perto dela.


Boletes Zulu e Cleide | Imagem extraída do Google Imagens

Boletes Lucinha e Claudia | Imagem extraída do blog “Cidadão Quem – La Dolce Vita

Veja abaixo também algumas fotos das Boletes durante o programa. As imagens estão no perfil de uma das ex-boletes no Flickr:

boletes, tv band s/p

boletes tv band

 

Apresentação das Boletes do Clube no ano de 1983:

 

No vídeo abaixo você relembra o “Concurso de Boletes”:

 

Neste outro vídeo abaixo, você confere um especial realizado no programa “Boa Noite Brasil” no ano de 2006, apresentado por Gilberto Barros, onde era relembrado momentos marcantes da memória da TV brasileira além de uma homenagem ao “Clube do Bolinha”, com as Boletes e um “Por onde andam”, para mostrar o destino de algumas delas após o fim do programa:

 

 

Abaixo você confere a lista de nomes de diversas boletes que passaram pelo programa em seus 20 anos de duração:

– Zulu (cuja fama era a de nunca sorrir para as câmeras);
– Tânia Bang Bang (a secretária pessoal e assistente de produção musical do Clube, casada com o cantor Antônio Luiz – o qual também fazia as vezes de assessor nas viagens da Caravana do Bolinha);
– Telma;
– Edna Poncell;
– Delma;
– Inês;
– Valquíria;
– Norman;
– Raquel;
– Sonia Lírio;
– Sônia Rangel;
– Isná;
– Gracinha Japão;
– Eduarda;
– Carla;
– Audrey;
– Sandra Lee;
– Silvana;
– Míriam Bianchi;
– Rose Cleópatra;
– Ana Maria;
– Marta Martin;
– Verônica;
– Leda Zepellin;
– Índia Amazonense;
– Laura;
– Júlia;
– Gina Tropical;
– Neide;
– Sandra Janete;
– Olívia;
– Fábia;
– Lúcia;
– Vanderléia;
– Beth Balanço;
– Beth Gazeta;
– Beth Coqueiro;
– Iris;
– Renata;
– Solange;
– Marli Bang Bang;
– Iara;
– Sônia Brasil;
– Paola;
– Prisclila;
– Érica;
– Thais;
– Kelly;
– Valéria;
– Rita;
– Teca;
– Baby;
– Marta;
– Charlene;
– Regiane;
– Tânia;
– Moara;
– Samantha;
– Marcela;
– Loraina.
– Anna

 

O programa ia ao ar nas tardes de sábado, ao vivo, porém Bolinha, sua equipe, junto com as dançarinas Boletes, mais artistas e cantores, saiam e viajavam o Brasil todo com a Caravana do Bolinha fazendo shows.

Por conta de seu sucesso como animador na Rede Bandeirantes, Bolinha era considerado um concorrente de Chacrinha, e também por conta dos quadros com apresentação de calouros e por haverem dançarinas bonitas e sensuais, como as “chacretes”. Entre os anos de 1978 a 1982, Chacrinha também chegou a fazer parte da Rede Bandeirantes de Televisão, após sua saída da extinta Rede Tupi. E tanto Bolinha como Chacrinha e Hebe Camargo, chegaram a apresentar seus programas na TV Bandeirantes diretamente do palco e auditório do antigo Teatro Bandeirantes, que foi uma sede provisória da emissora após o incêndio devastador de 1969 nas instalações do Morumbi, em São Paulo. O Teatro Bandeirantes era o local utilizado para a linha de shows, apresentações musicais, entretenimento e programas de auditório da Bandeirantes, durante a década de 70. Relembre este assunto na publicação do “Memória Band” clicando AQUI.

E após a reforma e reativação dos Estúdios da Bandeirantes, Bolinha passou a comandar seu programa direto da sede da emissora no Morumbi.

Apesar de a mídia sugerir uma certa rivalidade entre Bolinha e Chacrinha, pelo fato de serem de emissoras diferentes e concorrentes, Bolinha sempre demonstrou apreço e respeito por Chacrinha em suas considerações, até mesmo após a morte do Velho Guerreiro. Podemos constatar isso no vídeo abaixo, onde Bolinha recebe Rita Cadillac (ex-chacrete) em seu programa especial de verão ao vivo direto da praia do Guarujá – SP, no “Verão Vivo” da Rede Bandeirantes, no fim da década de 80:

 

Bolinha também chegou a receber diversas vezes em seu programa a Gretchen, para se apresentar e para ser entrevistada, como você pode conferir nos vídeos abaixo:

 


Abaixo você vê o vídeo da abertura do Clube do Bolinha no início da década de 90, mais especificamente em 1991, onde aparece o apresentador entrando no estúdio da Bandeirantes já no bairro paulista do Morumbi:

 

 

No vídeo abaixo, você confere uma chamada da programação de sábado da Bandeirantes, no ano de 1987:

 

 

Abaixo você vê vídeos que relembram um pouco de como era o quadro “Show De Sucessos” (Competição de Calouros) do Clube, na década de 80:

 

 

O programa de Bolinha também recebeu atrações internacionais em seu palco, como a sensação Menudo (que revelou o cantor Rick Martin). E você vê essa ocasião de 1985, no vídeo abaixo:

 

Infelizmente, como tudo que é bom não dura para sempre, o nosso saudoso Bolinha nos deixou em 1998, mas seu legado, sua alegria, seu talento, seu respeito com o próximo e sua significância para a comunicação brasileira permanecerão eternizados na memória e no coração de sua legião de fãs, parentes, telespectadores e também na história da televisão brasileira, assim como outras lendas desse mesmo patamar de Chacrinha e Hebe Camargo.

Falecimento

 

No vídeo acima, a jornalista disse alguns equívocos, e um deles é que o apresentador se afastou da televisão em 1994 e não em 1992, como foi dito no vídeo. O vídeo é do telejornal local da Band, o antigo “Rede Cidade”, atual “Band Cidade”, que vai ao ar em algumas praças fora da capital paulista e carioca.

Édson veio a falecer às 2h30 de 1º de julho de 1998, aos 61 anos – apenas 15 dias antes de completar o 62º aniversário –, vitimado por um câncer no aparelho digestivo . Estava internado no Hospital 9 de Julho para tratamento da doença que havia sido descoberta três anos antes de sua morte. Nos seis meses antes de Édson falecer, a doença havia se agravado.

Édson está sepultado no Cemitério do Paquetá, em Santos, a sua cidade natal.

Em 2011, Vitória Cury, filha do Bolinha, começou a reunir documentações e diversos conteúdos para a criação do Instituto Édson Bolinha Cabariti.

A bolete Marta Rodrigues Nascimento Marins, conhecida artisticamente como Marta Marin (1963 – Sorocaba, 1º de maio de 2012) foi uma das dançarinas do programa. Marta Marin foi assassinada por arma branca por um ex-namorado, o serralheiro Leonardo Guicharde da Silva, e o seu corpo foi encontrado no quintal de sua casa em Sorocaba, cidade do interior de São Paulo, no dia 22 de maio de 2012.

No vídeo abaixo, você confere uma homenagem ao Bolinha no “Geração 3D” no YouTube, com a participação da filha de Bolinha, a Vitória Cury:

Fontes: Google/Wikipedia/YouTube

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