#Crítica #Opinião – Mesmo mudando a direção, a BAND ainda mostra que desaprendeu a fazer televisão

Primeiramente, queremos deixar claro que não estamos criticando o fato de a BAND trazer a novela “Ouro Verde” para a sua programação, e sim estamos criticando a maneira como estão trazendo a novela portuguesa para a sua programação.

Não há dúvidas quanto a qualidade da produção portuguesa que será o novo folhetim em cartaz na Rede Bandeirantes de Televisão, principalmente se considerarmos o fato de ser uma novela vencedora de EMMY Internacional e ter um elenco estelar, que inclui atores e atrizes famosos na teledramaturgia nacional, além de cenas gravadas no Brasil. É uma novela que alcançou bons índices de audiência por onde passou, então, é, com certeza, um produto valioso que a Band está tendo a oportunidade de exibir.

Porém, existem algumas arestas que precisam ser aparadas na programação da Band. Pois, recentemente, a Bandeirantes contratou um novo diretor para cuidar de sua programação. Estamos falando de Antonio Zimmerle, que é um ex-diretor da TV Globo. Segundo o colunista do UOL, Flavio Ricco, o novo diretor possui 38 anos de Globo em seu currículo. Antonio está assumindo o posto de diretor de programação nacional da Band, no lugar de Marcos Antonio Zago, que recentemente deixou a emissora da família Saad. Ainda, segundo o mesmo colunista, Zimmerle também está, de uma certa forma, acumulando a função de Diretor Geral, que antes estava ao encargo de Juca Silveira, que também se desligou da Bandeirantes recentemente.

O que ocorre é que, a Band ainda está com a série turca “Minha Vida” (O Hayat Benim) em cartaz, e, de acordo com informações que foram ventiladas antes da decisão de escolher “Ouro Verde” como a novela sucessora, a direção da emissora veio a tomar conhecimento, depois de a trama turca já estar no ar e se aproximando do fim de sua 2ª temporada, que a série ainda possuía mais duas temporadas, 3ª e 4ª respectivamente. Por aí já se percebe uma falta de planejamento. Sobre a não ciência de que a série possuía 4 temporadas, ainda não precisamos colocar na conta do novo diretor de programação, porque a maior parte dessas séries turcas, o canal veio a adquirir direitos de exibição ainda na época do diretor argentino, Diego Guebel, logo, a ideia de exibir essas séries turcas como novela, vieram a partir da era dos argentinos na direção na Band. E ainda é interessante ressaltar que a Band possui os direitos de exibição de outros títulos turcos, como a vencedora do EMMY “Amor Eterno” (Kara Sevda) e “Uma Parte de Mim” (Una Parte de Mi/Kaderimin Yazıldığı Gün/O3 Medya), e outras produções da Turquia, além do que, de acordo com informações publicadas no site Observatório da Televisão, a Band estaria negociando as outras temporadas restantes de Minha Vida para exibi-las em um outro momento oportuno. Mas, considerando um velho vício que sempre esteve em voga na história da Rede Bandeirantes, toda vez que sai um diretor e entra outro no lugar, os projetos (bem sucedidos ou não) do diretor anterior, sempre são integralmente abortados pelo novo diretor que assume. E é aqui que começa o fundamento da nossa crítica.

Considerando o profissional Antonio Zimmerle, que possui tantos anos de trabalho na Rede Globo de Televisão, que é uma emissora onde as suas principais atrações são as novelas, e também as decisões acertadas e bem planejadas em relação a sua programação, era de se esperar que esse diretor viesse para a Bandeirantes e trouxesse toda uma boa noção de planejamento e boas ideias para serem aplicadas na emissora paulista, que carece bastante disso há décadas. Mas o que estamos vendo, é a continuidade e repetição dos mesmos erros e vícios já cometidos “tradicionalmente” e infelizmente por todos os outros diretores de programação que já passaram pelo canal dos Saad. Quem acompanha a programação da Band, pode lembrar da confusão feita também com a novela “Quase Anjos“, em 2011, ocasião na qual gerou bastante indignação de muitos espectadores, que lembram disso até hoje. Em adendo, vale destacar que 2011 foi o início da era dos argentinos na direção da Band, como Diego Guebel e afins…

Por que em vez de interromper a exibição de Minha Vida, e deixar a história inconclusa para o seu público cativo, a emissora não presta maiores esclarecimentos ou planeja melhor uma maneira de resolver essa questão? Concordemos ou não, mas a Globo demonstra procurar fazer uma programação de maneira coerente, bem organizada e bem planejada e, com certeza, nessas alturas do campeonato, não cometeria erros tão grosseiros e primários como esses que estão sendo cometidos pela Bandeirantes, que, por incrível que pareça, agora conta com um diretor vindo exatamente da Globo, e que também é um profissional que possui anos de experiência com “o modo Globo de fazer televisão”, ou seja, ele sabe como que deve ser feito o negócio televisão, ou pelo menos teve contato com a maneira mais promissora de se fazer televisão no Brasil.

Veja bem, para reiterar, voltamos a repetir que não estamos condenando o fato de decidirem exibir a novela portuguesa, porque isso é bom, é uma grande produção e é importante variar a nacionalidade e trazer outras opções para o público na área da dramaturgia (quando “você” emissora, não está produzindo uma novela). Mas o que não é correto, é elaborar uma programação que faz a emissora se auto sabotar. Entendemos que o público de uma produção, como é o de uma novela portuguesa como Ouro Verde, é um pouco diverso em relação ao público cativo das séries turcas, mas uma emissora dirigida de modo profissional, que visa crescimento e audiência, procura saber costurar uma situação como essa, e procura arranjar um modo de agregar público e não despertar a indignação de uma parcela desse mesmo, na tentativa de conquistar um outro eventual público maior, afinal, como o telespectador em geral vai entender, receber e aderir a essa nova aposta da emissora, sendo que ela, ao mesmo tempo, deixou uma outra parcela de público cativo (o das novelas turcas) a ver navios? Como confiar na nova direção da Band se já está começando com um erro primário?

O mínimo que a nova direção poderia fazer, era prestar maiores esclarecimentos junto ao público da emissora, explicando que, por exemplo, a Band pretende exibir a continuação da série turca em um outro momento e que, essa interrupção seria apenas uma espécie de “pausa”, para não deixar a história com barriga ou arrastada (afinal é uma série bastante longa de 4 temporadas), ou poderiam dizer que, em um momento posterior, a emissora pretende inaugurar mais um outro horário para novelas e que pretende reservar a exibição da continuação de Minha Vida para esse novo horário designado. Uma simples explicação que tenha fundamentalmente um bom planejamento para a programação, já seria plausível. No entanto, a direção parece estar “fingindo demência” perante as tantas reclamações de seus verdadeiros “patrões”, que é o público que tem o poder do controle remoto na mão.

É muito lamentável a direção da Band continuar procedendo dessa maneira leviana e amadora e, ainda trazer um produto tão valioso como é a novela Ouro Verde e, fazer com que essa empreitada seja exposta ao olho desse furacão. Nas matérias e na divulgação da emissora sobre a estreia da nova novela portuguesa, todos falam em expectativa com relação ao seu desempenho em audiência, mas a direção da Band precisa entender que “uma andorinha não faz verão”, logo, precisam saber costurar, ter traquejo e ter jogo de cintura para solucionar uma situação como essa. Não é despertando a raiva, a revolta, a indignação, a desconfiança, a ameaça de boicote de parte do público, que uma emissora conquista audiência, e sim despertando a confiança do espectador para que ele dê uma chance para a emissora, ao invés de optar pela concorrência, pois o público precisa saber que, o que ele está vendo, terá começo, meio e fim, e que ele sempre vai ligar naquele horário e sua atração favorita estará entrando no ar, faça chuva ou faça sol, ou que o público sempre vai assistir o que foi anunciado e que não terá última forma. Ou melhor ainda, quando a emissora intencionar realizar uma mudança, que avise exaustivamente, explique bem exaustivamente e prepare o público para essa alteração, e que seja uma alteração coerente e bem planejada, porque o público brasileiro está acostumado com rotina, é bastante exigente e não aceita ser enganado, então, fazer televisão é como pisar em ovos, pois é muito difícil “agradar a gregos e troianos” sempre e ao mesmo tempo. Abraham Lincoln já dizia “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”. Essas são regrinhas básicas que um telespectador fiel preza em uma emissora, e deveria ser as premissas no trabalho de qualquer diretor de uma emissora de televisão, ou seja, de forma empática, entender o que e como o público gosta de assistir a algo, e é por aí que entendemos que, faça chuva ou faça sol, e o telespectador ainda considera a Globo como referência em televisão, porque são anos de planejamento, de decisões bem pensadas, acertadas e são anos respirando televisão, por isso o público mantém a emissora dos Marinho como preferência e como líder absoluta de audiência (é claro que isso também se deve, em grande, pela imensa ajuda que a incompetência da concorrência da Globo presta). Nós somos o fã-clube da Band, e valorizamos muito a história e importância da Bandeirantes na televisão brasileira, mas não é possível concordar e aplaudir tudo de maneira alienada e fanática, sem consciência e sem questionamentos. Se nós como fã-clube da Band conseguimos entender isso de maneira elementar, por que oras um diretor que veio da Rede Globo para trabalhar na Bandeirantes não entende da mesma maneira?

Ainda há tempo e chance para o diretor Antonio Zimmerle pensar e tentar consertar esse erro, ou ao menos fazer com que sejam prestados maiores esclarecimentos ao público da Bandeirantes.

Vamos lá Antonio, estamos torcendo por você, que você consiga aplicar na Band as boas ideias, todo o planejamento e modo profissional de fazer programação de televisão, como você aprendeu a fazer lá na Globo!

É claro que não podemos responsabilizar apenas a nova direção de programação da Band por todos esses erros, porque muita coisa depende também da alta cúpula. Um corpo precisa de uma cabeça funcionando com um cérebro, se eventualmente essa cabeça não possui um cérebro vivo e bom, o resto do corpo não funcionará, ou alguns órgãos funcionarão e outros estarão falecidos e apenas ocupando espaço. Uma empresa como a Band funciona de maneira parecida com um corpo humano. Se vão fazer televisão sem garra e sem objetivo de crescer, conquistar melhores resultados e superar a concorrência, não precisa continuar tentando lidar com o negócio televisão, é melhor vender pra quem queira fazer e tenha dinheiro pra investir, além de metas a serem alcançadas, e continuarem apenas no negócio de rádios, que é onde o Grupo Bandeirantes é melhor sucedido.

 

  • O texto contido nesta publicação não reflete, necessariamente, a opinião de todo o Fã-Clube Band.***