#Opinião : Bandeirantes assegura sua dignidade como emissora ao não se sujeitar às restrições impostas pela Globo para exibir Série B

Recentemente foi divulgado na coluna do Flavio Ricco do UOL, que a Bandeirantes estava negociando com a Globo os direitos para a transmissão do Brasileirão Série B. Vale destacar que a intermediação dessa negociação com a dona dos direitos de transmissão (Globo), estava sendo feita pela empresa MediaCom Sports.

Acontece que, chegou em uma certa parte da negociação que surgiu uma restrição por parte da Globo. A exigência é que a BAND não poderia exibir os jogos do Cruzeiro, Vitória e Náutico, que são as equipes candidatas à disputa do título, logo, seria como “comprar um bolo e não levar a cereja“, como bem colocou o colunista do UOL.

Ainda foi afirmado que a restrição não era por conta de dinheiro, mesmo porque a Bandeirantes já conseguiu liquidar a dívida que contraiu no passado, por conta de direitos de transmissão de futebol com a Globo, mas afirmaram que a questão era “estratégia”, ou seja, basicamente não existe “parceria” e liberdade para a emissora concorrente, mesmo que esses direitos estejam sendo pagos por ela.

E é agora que chegamos na parte do elogio para quem foi responsável por assegurar a dignidade da Bandeirantes nessa tratativa, e fazemos questão de elogiar porque em um passado não muito distante, isso não acontecia, então quando acontece, temos que reconhecer e valorizar.

Só para lembrar, antes da década passada começar, a Record TV passou por situações semelhantes nessa questão de divisão de direitos de transmissão de futebol, o que resultou na desistência da emissora em realizar investimentos nessa determinada área esportiva, depois disso, passou a canalizar seus investimentos em produções próprias e independentes de direitos, e seu êxito vai muito bem, obrigado. O SBT de Silvio Santos também chegou a travar disputas intensas com a Globo pelos direitos de transmissão do Paulistão em 2003, e acabou desistindo posteriormente, e também focou os investimentos em dramaturgia, entretenimento e linha de shows, que é a especialidade de Silvio Santos. Mais recentemente, quando a RedeTV! também investiu nos direitos de transmissão da Série B, se tornaram frequentes as reclamações de telespectadores na internet em relação a restrições que a emissora era submetida, no que se refere a não transmissão das partidas para todos os estados ou em outras plataformas do canal.

É muito importante recordar também da experiência da Bandeirantes, quando dividia esses direitos de transmissão com a Globo, na época que a emissora exibiu o Brasileirão, Copa do Brasil, estaduais e vários outros torneios ou eventos esportivos. Na época, por restrição contratual imposta pela dona dos direitos, a Band não podia escolher quais jogos exibir (tinham que ser os jogos que a Globo determinava que a Band poderia exibir), não podia transmitir estaduais como Paulistão ou Carioca para outros estados da região Nordeste, por exemplo e, também, a Band não podia transmitir os jogos, que escolhesse, em outras plataformas, como o aplicativo da emissora #BandTV (Band Segunda Tela). Ou seja, era praticamente um contrato de “escravidão”, mesmo que esses direitos estivessem sendo pagos pela Band. E isso acontecia porque a Band contava com uma direção incompetente que não zelava pelo crescimento da emissora, uma direção que não pensava grande e que ainda mantinha a ideia acomodada de escorar sua programação no esporte, ou mais especificamente, no futebol.

Felizmente, nos dias de hoje, a Band conta com uma direção que parece procurar zelar mais pela dignidade da emissora. Se no passado a direção da época optou por encerrar o departamento de teledramaturgia, em 2008, para priorizar a negociação de direitos de transmissão de futebol com a Globo, hoje, se entende que não vale a pena investir nisso na TV aberta, sendo que existe um canal de esportes do grupo que necessita de maiores investimentos para o aumento de oferta de conteúdos, e que a TV aberta é o coração do grupo e que precisa alcançar um público variado, além de ter uma programação bem desenhada e eclética. Aparentemente, hoje entende-se na Bandeirantes que, a situação no campo de direitos esportivos é bastante diferente de décadas anteriores, quando a emissora usava o slogan “O Canal do Esporte“, já que naquela época a prioridade das emissoras concorrentes não era o esporte, e nem mesmo a Globo apostava alto na exclusividade de direitos de transmissão de diferentes modalidades esportivas, então, a Band viu no esporte uma maneira de driblar a crise e oferecer um conteúdo alternativo em relação as concorrentes.

Em 2020 o cenário é outro, nós temos agora empresas como DAZN (a “Netflix” do esporte), que tem um alto poder de fogo para direcionar todos os seus investimentos em exclusividade de direitos de transmissão das mais variadas modalidades esportivas, também temos o grupo da Turner (com os canais Space e TNT), que também tem condições de negociar diretamente com alguns clubes para transmitir suas respectivas partidas pelo Brasileirão, sem falar da Liga dos Campeões que é um evento bastante caro e que é exclusivo da Turner (nem a Globo conseguiu). E ainda temos também o Grupo Globo, que possui um sócio-investidor externo milionário, que contribui muito para que o grupo ainda tenha preferência na negociação de exclusividade nos direitos de transmissão das diferentes modalidades esportivas (as que rendem melhor audiência também vão para a TV aberta deles, obviamente) e assim conseguirem garantir uma variedade de oferta de conteúdo para os canais fechados ou pay per view da Globo.

Com uma concorrência assim no campo de direitos, não vale a pena tentar negociar parcerias com a Globo, que, evidentemente vai propor restrições para se proteger e colocar a “emissora parceira” em desvantagem, mesmo que a emissora parceria esteja recomprando deles esses direitos. Já uma parceria com a Turner, por exemplo, seria mais vantajosa para a Band, apenas na TV aberta, quando pensamos em Liga dos Campeões, porém, é certo que a Turner poderia “fazer a Globo” na TV por assinatura, quando analisamos a existência do BandSports, que seria concorrência na transmissão de esportes também com os canais do modelo “superstation” da Turner, como Space e TNT, logo, uma parceria com a Turner só seria viável para a Band na TV aberta, apenas quando o assunto é Liga dos Campeões, ou com a parceria já existente para a transmissão das partidas da NBA.

Mas, para encerrar, nós também não podemos deixar de fazer uma crítica construtiva. E a crítica é em relação ao excesso desnecessário de programas esportivos na programação, que no fim das contas não trazem prestígio para a grade como um todo, que deveria funcionar como um mecanismo de engrenagens, com uma coisa ajudando a alavancar e entregar em alta para atração seguinte, por haver uma coesão e um bom desenho de grade. Pra se ter ideia, tem programa esportivo que está na grade só porque fatura ou porque tenta pegar uma migração de audiência de evento esportivo que termina na emissora concorrente, haja vista que isso acaba servindo apenas como propaganda de evento esportivo exclusivo que vai passar na emissora concorrente apenas. Que síndrome de vira-lata é essa, dona Bandeirantes? E o que falar daqueles programas esportivos que só herdam uma boa audiência de um programa de mesmo tema que foi ao ar antes, com a desculpa esfarrapada de que “fatura”. E o planejamento de grade de programação, onde colocam? Só para deixar claro que não estamos nos referindo aos programas “Jogo Aberto” e “Band Esporte Clube”, ok?

ADENDO

  • É importante salientar que, não somos contra a Band investir em eventos esportivos ou futebol, mas não é possível concordar com o investimento que sujeita a emissora ao modelo restritivo e desvantajoso proposto pela Globo, que é dona dos direitos, e também acreditamos que seja mais importante garantir eventos e conteúdos esportivos direcionados para o BandSports do que para a TV aberta. Um exemplo é a experiência da Rede TV! na noite desta última terça-feira (11/02), que transmitiu a Sulamericana e teve uma audiência abaixo de 1 ponto (traço). Não compensa investir nesses eventos para a TV aberta, a audiência é pífia. Que invistam para o BandSports ter mais conteúdo.

 

As ideias colocadas neste artigo expressam apenas a opinião de um membro da equipe do Fã-Clube Band, e podem representar, ou não, a opinião de todo o FC Bandeirantes.