Memória Band: Relembre uma entrevista com o saudoso João Jorge Saad, o criador do Grupo Bandeirantes (Band)

Em 2017, o Grupo Bandeirantes de Comunicação e a Rede Bandeirantes de Televisão completaram 80 e 50 anos respectivamente. Então, como estamos em um ano comemorativo, continuamos a celebrar esse momento relembrando fatos marcantes e importantes relacionados com a história do conglomerado de mídia, que é o Grupo Band. Nessa publicação, vamos começar lembrando do criador da Band, que foi o senhor João Jorge Saad.

 

 

Em 10 de abril de 1997, o saudoso criador do grupo de comunicação, João Jorge Saad, concedeu uma entrevista para o Pró-TV/ Museu da Televisão Brasileira, onde ele revelou diversas curiosidades sobre sua vida e sobre a trajetória da rádio Bandeirantes, do grupo de comunicação e da criação da estação de televisão, em 1967.
Antes do depoimento, aqui vai uma breve biografia do empresário e comunicador:

Chegou a São Paulo aos 5 anos, acompanhado de seus pais libaneses, Jorge João Saad e Raquel Amate Saad. Começou a trabalhar cedo no comércio do pai, na esquina da rua 25 de Março com a ladeira Porto Geral. Quando completou 21 anos, passou a percorrer o país como caixeiro-viajante. Nessa época, início dos anos 1940, não imaginava entrar para o mundo das comunicações.
No inverno de 1947, João Saad casou-se com Maria Helena de Barros Saad, com quem teve cinco filhos: Johnny Saad, Ricardo Saad, Maria Leonor, Marcia Saad e Marisa Saad.
Eleito em 1947 governador de São Paulo, Adhemar de Barros ofereceu um cartório ao genro, que, para surpresa do sogro, recusou. Logo depois, Adhemar pediu que ele fosse resolver alguns problemas na rádio Bandeirantes, que ele havia comprado de Paulo Machado de Carvalho, na época dono da Record.
Em 1950, a rádio apoiou as campanhas vitoriosas de Getúlio Vargas, para a Presidência da República, e de Lucas Nogueira Garcez, para o governo do Estado. Um ano depois, João Saad fez um trato com o sogro: ele assumiria definitivamente a rádio e ajudaria Adhemar de Barros nas suas futuras campanhas.
Quando Adhemar assumiu a Prefeitura de São Paulo, em 57, João Saad foi nomeado presidente da CMTC. Foi a sua única passagem por cargo público. Sua gestão durou pouco porque trombava frequentemente com o sogro. Não aceitava indicação de apadrinhamentos.
Já a rádio Bandeirantes, sob seu comando, começou a se estruturar como rede. Foram compradas estações no interior e em outros Estados. Em 1952, João Saad conseguiu com o presidente Getúlio Vargas a concessão de um canal de televisão em São Paulo.
Durante o governo Juscelino (56-61), a concessão chegou a ser cancelada e entregue a outro empresário. Mas Saad conseguiu, já na época do governo João Goulart (61-64), recuperar a TV.
Em 1967, a TV Bandeirantes começou a operar. O prédio da emissora, primeiro no país a ser concebido para receber uma TV, levou cerca de cinco anos para ser construído e ficou conhecido como o “Palácio Encantado”. Saad adiou várias vezes o início das operações: “Não era ainda o tempo… Inaugurei a estação só em 67, fincada numa base sólida”, disse.
Quando a TV Bandeirantes foi fundada, já existiam as TVs Cultura, Record e as extintas Tupi, Excelsior e Paulista.
Dois anos depois, João Saad teria sido aconselhado por uma cartomante a vender a emissora por prever um incêndio. Em entrevista, ele teria dito que não acreditou porque achou que ela estivesse a serviço de algum concorrente.
Coincidência ou não, a empresa pegou fogo três dias depois. O incêndio, que teria sido criminoso, destruiu o prédio e todo o equipamento. O prejuízo foi grande, já que não havia seguro. Mas Saad soube tirar proveito da situação. Em vez de comprar novos equipamentos em preto-e-branco, a Bandeirantes foi a primeira a ter equipamento para TV em cores e saiu da crise em vantagem.
A Bandeirantes investiu desde o início em filmes, jornalismo e esporte. Para Saad, a programação tinha de ser “eclética”. Segundo ele, não se podia “elevar muito o nível dos programas, senão não haverá audiência”.
João Saad tinha não só senso de oportunidade comercial, mas também habilidade para transitar no meio político. Ele adequou seu discurso público à realidade histórica do momento.
João Saad era conhecido na Bandeirantes por ter sempre a porta aberta para funcionários de qualquer escalão.
Também tinha a fama de cobrar de seus auxiliares erros cometidos no noticiário da rádio Bandeirantes nos horários mais improváveis, inclusive de madrugada.
Podia acompanhar toda a programação da emissora porque era caseiro, avesso às badalações. Seu passatempo preferido era visitar suas fazendas e, enquanto a saúde permitia, costumava fazer esses passeios pilotando o próprio avião.
Em maio de 1993, João Saad foi operado pelo cardiologista Adib Jatene para o implante de quatro pontes de safena -único problema sério de saúde que teve nos seus 80 anos de idade. Três anos depois, sua mulher, Maria Helena, morreu de câncer.
Saad também atuou como empresário no setor imobiliário e agropecuário.
Ele veio a falecer em 10 de outubro de 1999, vítima de um câncer generalizado.
Em 2007, foi homenageado pela escola de samba Nenê de Vila Matilde, por conta de sua importância para a comunicação no Brasil.

Veja abaixo o vídeo do depoimento de João Saad:

 

Fontes: Folha Ilustrada | Wikipedia | YouTube

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