Memória BAND: “SuperMarket” – Um sucesso das tardes da BAND nos anos 90!

O “SUPERMARKET” era exibido diariamente e apresentado por Ricardo Côrte Real, e era um programa que tinha seu foco em produtos. O formato era de gincana e se passava em um supermercado cenográfico dentro dos estúdios da Band). Os participantes se dividiam em grupos de três pessoas e respondiam perguntas relacionadas aos produtos e, principalmente, ao preço desses. O time que acertava as respostas ganhava pontos que eram convertidos em “tempo”, e com esse “tempo” ganho os competidores podiam “comprar” tudo o que desejassem, era só colocar no carrinho.
Outra prova da gincana era a de procurar um produto de acordo com a charada que era passada, e as vezes este produto induzia o participante a ir a outro setor do supermercado para encontrar um produto da mesma linha e/ou marca. O grupo que vencia a gincana era premiado com uma quantia de quatro mil dólares.
A alta audiência do programa atingia à todas as idades, e os que assistiam encontravam um grupo ao qual se identificavam para torcer e “ajudar”. Um dos motivos de tamanho sucesso e audiência é que nesta época as famílias faziam grandes compras mensais e estocavam produtos por causa da inflação, e não era raro ver famílias pelos supermercados brincando de “SuperMarket”, fazendo de conta que estavam na TV.

Confira abaixo uma entrevista/depoimento de Ricardo Côrte Real sobre o SuperMarket:

Foram cinco anos na Rede Bandeirantes e 1.276 programas “SuperMarket”.
Acho que foi o primeiro programa de merchandising explícito na TV.
Eu não disfarçava e virava o rótulo da garrafa para aparecer…
O programa era sobre produtos, se passava dentro de um supermercado que é onde você encontra mais produtos na sua vida, e era um programa de teste de conhecimentos sobre aqueles produtos. Quem soubesse mais sobre os produtos, poderia se dar muito bem nêsse programa. Respondendo as perguntas, o participante ganhava pontos. Os pontos se convertiam em tempo, com o tempo o participante “comprava” produtos para colocar no seu carrinho.
Quanto mais produtos viessem no carrinho, mais chance de chegar ao último estágio do programa que era uma charada sobre três produtos que descobertos dariam quatro mil dólares de prêmio ao vencedor. Não é lindo isso? Então alí ninguém enganava ninguém. O supermercado foi feito dentro do estúdio. Ficou no estúdio B da Band durante uns dois anos. Depois a gente teve um período de seis meses num outro estúdio. E daí, o resto de tempo, na Domingos de Moraes, em uma galeria. Era um calor… meu Deus do céu! No programa aconteciam histórias engraçadas, testes, coisas emocionantes, pessoas que choravam quando ganhavam. Algumas duplas quando ganhavam, vinham correndo e me abraçavam, me jogavam para cima, caía lata no chão…
Uma vez, eu não me esqueço, foi com um cameraman (cinegrafista) gigante. Tinha uma parte da corrida que os cameramen vinham com aquelas engs (câmeras), correndo atrás dos caras, para focalizar os carrinhos… Então saíram três carrinhos e três engs. Tinha trombada, tinha tombo. Um dia esse grandão vinha vindo e… Boom! Caiu no chão. Ele caiu com a câmera e tudo foi gravado. E a gente colocou o tombo no ar. Tinha muita trombada, era muito engraçado. Eu fazia tudo para os participantes ficarem à vontade, porque eu sabia que a maior dificuldade dos participantes era estar num ambiente totalmente diferente… Luzes, cenário, competição, câmeras… Todo um ambiente diferente. Então o que eu tentava o tempo todo, como apresentador e mediador do programa, era tentar deixar as pessoas a vontade. Antes do programa fazia brincadeiras, sempre fazia o máximo para relaxar e falar… Uma das frases que eu mais ouvia no programa era: “Puxa! Mas lá em casa eu acertava tudo!”. Claro! Em casa você está calmo, você está de frente para a televisão… você não está na televisão… é diferente, né? No final do programa eu abraçava as pessoas, eu tenho essa coisa que é minha mesmo… Nas pesquisas que a gente fez, isso foi bem legal, um dos itens que sempre entrava era que o Ricardo passa carinho para as pessoas. Então eu conseguia passar pela televisão de que eu era uma pessoa carinhosa, uma pessoa que trata bem as pessoas, independente de estar no cargo de apresentador, ou de diretor, o que seja. Então isso fazia com que as pessoas gostassem de participar do programa independente de ganhar ou perder.
E quando eles ganhavam, eles queriam me jogar para cima!

 

Fontes: tudosobretv.com.br | cafecomgalo.com.br | Youtube

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