#Opinião Possíveis razões que podem ajudar a compreender o desempenho ruim em audiência de #OAprendizNaBand e os erros da BAND

Primeiramente gostaríamos de deixar claro que não somos (ao menos o indivíduo que está escrevendo esse artigo) entendedores da maneira como funcionam os números de audiência e como é feito o seu auferimento. Sendo assim, não nos aprofundaremos muito em questões mais técnicas. Vamos abordar esse assunto de uma maneira acessível e facilmente compreensível.

Em primeiro momento, voltando lá em 2018, quando Roberto Justus participou do programa Melhor da Tarde com Catia Fonseca, pudemos entender que tanto ele quanto a Band estavam conversando sobre algum projeto. Pouco tempo depois, a emissora divulgou a contratação do apresentador para produzir uma nova edição reformulada do programa O Aprendiz.

Inicialmente, quando foi divulgada a contratação de Justus pela Band, surgiram muitos comentários na internet e nas redes sociais, de cunho crítico. Algumas pessoas comentavam que Roberto Justus estava com sua imagem desgastada desde quando estava na Record TV apresentando reality shows de confinamento. Outros comentários destacavam a ideia de que o reality O Aprendiz também se tratava de um formato desgastado.

A proposta dessa nova edição de O Aprendiz não é ruim, e sim bastante atual, porque está trabalhando com elementos de grande alcance, influência e repercussão nas mídias sociais, que são os “digital influencers“, seja no YouTube, Twitter, Facebook ou Instagram. E o respectivo público desses influencers também se concentra, em maior parte, na internet, na TV paga e nos serviços de streaming.

Nós, fãs da Band, percebemos que a emissora, há muitos anos (desde a época do argentino Diego Guebel), por conta de incompetência, amadorismo e falta de planejamento de alguns de seus vários diretores, alguns antigos e atuais (sejam fantasmas ou de enfeite), não demonstram conseguir pensar e desenvolver uma programação que funcione como mecanismo de engrenagens, com uma coisa alavancando a outra, e também demonstram uma dificuldade extrema de fazer uma programação que tenha uma proposta específica para o público de TV aberta, que anseia por uma programação popular, principalmente na área de entretenimento, variedades e linha de shows. Talvez o mais importante para alguns diretores atuais da Band seja atender a birrinhas de apresentadores que batem o pé para não perderem minutos de suas atrações na hora do almoço, onde seria necessário o encaixe de um jornalístico, apenas com a justificativa pobre de que suas atrações consecutivas e de mesmo tema alcançam um faturamento satisfatório para o departamento comercial. Então dane-se o desenho de uma grade de programação bem planejada e estratégica.

Infelizmente o que sempre foi percebido na Band é que, quando diretores e executivos despreparados e incompetentes tentam investir em atrações da área do entretenimento, e acabam colhendo fiascos como frutos, a ideia sempre foi correr e apelar para o esporte, e nesse festival que visa abafar a incompetência para a direção e produção de entretenimento na emissora, vale tentar usar qualquer coisa no campo esportivo para disfarçar as burradas. Assim topam até voltar a ser emissora escrava, digo, licenciada pela Globo, para exibir aqueles campeonatos de futebol que rendem uma audiência mediana em comparação com o Brasileirão, tudo só para dizer ou tentar mostrar que ainda transmite esporte, nem que seja “para inglês ver” apenas, só para dizer que tem e que está transmitindo alguma coisa de esporte. E nesse pacote rola até ter o sinal bloqueado no satélite, na TV paga e para algumas afiliadas de outros estados, por conta de exigências contratuais da emissora titular dos direitos de transmissão (Globo), que não quer concorrência e que só repassa para a Band o que eles não tem interesse de transmitir, como Copa do Mundo Sub-20, por exemplo, e ainda com as exigências de que a Band não possa exibir em outras plataformas (por isso usamos o termo “escrava”), ou o cachorrinho que fica no pé da mesa esperando as migalhas caírem. Tudo isso acontece na Band pra disfarçar a incompetência dos diretores na produção de êxitos no campo do entretenimento. Aí quando o sapato aperta e os principais eventos esportivos se tornam inviáveis de se negociar, a Band tenta voltar a focar no entretenimento e na variedade com uma direção amadora, como aconteceu em 2018 quando ficou sem a Copa do Mundo e correu focar em produzir um entretenimento/variedades na programação, sem planejamento e sem estratégia, tipo “Superpoderosas” ou o dominical do Datena, que fracassou por culpa das indecisões do próprio apresentador que contava demais com muita carta branca, e que não sabia se continuava apresentando o programa de entretenimento dominical ou o policial diário ou se virava político (com esses mesmos diretores incompetentes e com as mesmas estratégias falhas de outrora), só que aí o público da emissora já foi condicionado a esperar uma programação apenas dependente de esportes, logo, a direção da emissora faz um trabalho de auto-boicote. Investir em esporte na Band só compensa se for independente de negociação de direitos com a Globo (emissora concorrente na TV aberta, e não “parceira”). É isso que diretores como José Emílio Ambrósio precisa ter fixo em mente, e em seu trabalho na Bandeirantes. A Band teve o seu ciclo de “canal do esporte” durante os anos 80 e 90, mas ela alcançou esse status naquela época porque oferecia um conteúdo exclusivo no campo esportivo e que as outras concorrentes (Globo, Manchete, SBT e Record) não tinham 100% de interesse, além do que, na época que a Band era “canal do esporte”, não existia grupos gringos cheios de dólares com canais de esportes na TV paga interessados em exclusividades na transmissão de eventos esportivos que realmente são visados e que rendem audiência, hoje a realidade é outra, hoje tem Turner(Esporte Interativo/TNT/Space), ESPN, Globo(Sportv) com bastante poder de fogo (dinheiro) para investir em direitos de transmissão e exclusividades dos principais torneios de futebol e de outras modalidades que rendem grande audiência, e a Band? A Band precisa se adequar a realidade atual e as suas reais necessidades/prioridades, que é se fortalecer como um todo, e não apenas no esporte. O que alguns saudosistas do status de canal do esporte da Band precisam entender é que a Band não deve servir como a proposta inicial do Esporte Interativo, que era ser um canal de esportes na TV aberta; esse público precisa entender que o canal BandSports foi criado especificamente para esse público que quer assistir esportes o dia inteiro, e que se invista em esportes para o público do BandSports, porque TV aberta exige variedade e precisa ter apelo junto a todos os nichos de públicos, além de uma programação popular. Nenhuma emissora consegue sobreviver nos dias de hoje aplicando as mesmas estratégias dos anos 80 e 90, a realidade da televisão de hoje em dia é outra, a televisão precisa lutar para não ser engolida pelas plataformas de streaming e YouTube, precisa produzir conteúdo para as diversas plataformas e aplicativos, de preferência dramaturgia. Nem a Globo aplica hoje em dia as estratégias que foram idealizadas por Boni e Walter Clark nos anos 70, então por que a Bandeirantes deveria fazer mais do mesmo dos anos 80 e 90? O que nós acreditamos é que a Bandeirantes precisa se reinventar e reposicionar sua marca como emissora de TV aberta, de modo condizente com as demandas do público da atualidade. Precisa primeiro ter uma programação eclética, popular, forte e independente de esportes, e que os esportes sirvam apenas como um complemento na programação da TV aberta, e não o principal produto a se oferecer para o público/mercado publicitário. E para que o público da emissora não fique condicionado a apenas esperar esporte no canal, é necessário trabalhar bem todas as áreas de maneira eficaz e equilibrada, para que o público seja condicionado a esperar uma programação eclética, assim, quando uma área se tornar deficitária e inviável em algum momento por alguma razão (esporte), a outra área (entretenimento, dramaturgia, jornalismo) consegue manter a relevância e o apelo junto a um público variado e abrangente, não apenas contando com a audiência de um público masculino, mas também de um público feminino, adolescente/jovem, infantil e idoso.

Ps – Tem certos colunistas do UOL que sonham em trabalhar como diretor da Band, mas que possuem um raciocínio dos anos 40 para o negócio televisão, e que acham que não tem problema uma emissora/grupo de comunicação do porte da Bandeirantes viver abaixando a cabeça para a emissora favorita do colunista (Globo), apenas para transmitir futebol. As colocações desse tipo de “jornalista” parcial e tendencioso, que não conta com a palavra isenção em seu dicionário e que tem o costume de ter amizade com criminosos da web, não possuem credibilidade (apenas status), não merecem consideração e sequer acessos em sua coluna, porque apesar de trabalhar em um grupo de comunicação concorrente da Globo, suas publicações em 100% passam pano em qualquer coisa da emissora dos Marinho, e onde fica a imparcialidade? Difícil encontrar no jornalismo de hoje em dia. E isso não é referente a apenas um colunista do UOL que fale sobre TV, e sim em relação a maioria. Aliás, essa parceria da Band com o UOL nunca foi tão despropositada como agora. O Grupo Bandeirantes deveria voltar com o grande portal eBand, porque independência é um caminho sem volta.

Com a explanação desses fatores citados nos parágrafos acima, podemos começar a endender alguns motivos causadores do desempenho fraco de O Aprendiz. Como já dissemos, a nova proposta de O Aprendiz na Band é bastante interessante, mas a falta de estratégia da direção da emissora também é um dos fatores que causam esse resultado insatisfatório. Existem várias opções que podem explicar e ajudar a entender essa audiência baixa, como:

1º Apesar da reformulação e da proposta inédita da nova edição do reality, ele foi exaustivamente desgastado, de todas as maneiras possíveis na Record TV. Isso pode ter causado um desinteresse do público.

2º Roberto Justus é um profissional gabaritado e muito bem sucedido em sua área de atuação. Porém, ainda na Record TV, sua imagem foi bastante desgastada, ao escalarem ele para apresentar formatos de realitys que nada tinham a ver com a sua vocação e com o seu perfil, sendo assim, ele acabou ficando deslocado e subaproveitado na antiga emissora, onde também enfrentou algumas “saias justas” com outros apresentadores, por ter sido colocado no lugar dos mesmos.

3º Apesar de o programa ser um sucesso de repercussão, a nível mundial, nas redes sociais, e mais especificamente no Twitter; não significa que o programa vai ter êxito em audiência. E não significa porque o sistema de medição de audiência realizado pelo Ibope, no Brasil, ainda é um pouco “arcaico” e ultrapassado, se comparado com o sistema de auferimento de audiência americano, que considera a audiência de várias plataformas, afinal o público, seja americano ou brasileiro, hoje em dia, não assiste televisão apenas do modo tradicional, com a família sentada no sofá na frente do aparelho televisor; atualmente o público acompanha a programação da televisão pelo celular, tablet, PC, pelos aplicativos das emissoras para aparelhos móveis, YouTube, transmissões em lives no Facebook, Twitter, e etc. Mas, no Brasil, a consideração dessas outras formas de assistir televisão, pela medição do Ibope, ainda está longe de acontecer. Talvez esse formato de O Aprendiz funcionasse na TV aberta daqui a alguns anos, quando outras plataformas estiverem sendo consideradas em uma medição de audiência mais moderna, atual e condizente com a realidade do telespectador da década de 2020, como já acontece nos Estados Unidos.

4º O dia e horário de exibição dessa nova edição de O Aprendiz também pode não estar colaborando para acontecer um bom desempenho de audiência. As noites de segunda-feira sempre foram difíceis, e não apenas a Band tem dificuldades nesse dia, mas outras emissoras também já enfrentaram dificuldades com atrações nesse dia e horário. A própria Record TV não teve um bom desempenho nas noites de segunda com o programa Xuxa Meneghel e a Band também, desde quando o CQC começou a ficar desgastado e ainda depois da saída de Marcelo Tas da bancada do programa, os resultados de audiência nunca foram mais os mesmos de 2008 a 2013. Alguns fãs da Band precisam entender que alguns formatos possuem uma vida útil e que chega um certo momento que essa vida útil expira. Foi o que aconteceu com o CQC e com o Pânico. Em determinadas conjunturas, alguns formatos não são mais viáveis em diversos aspectos, tanto comerciais quanto de audiência. Mas voltando ao fator “dia de exibição”, teria sido menos arriscado se a Band tivesse escolhido outro dia da semana para apostar nesse novo O Aprendiz. Talvez nas noites de quinta-feira, ou até mesmo na noite de terça-feira, para alternar o estilo de realitys no dia que a Band conseguiu se consolidar com um reality culinário. Uma outra opção para O Aprendiz também poderia ser as noites de sábado, ao invés de ficarem explorando o tiozinho Steven Seagal (O pior é que a Band já fez muito isso também com o Chuck Norris e o seu Texas Ranger. É melhor pararmos por aqui para não dar ideia para eles. Que eles não leiam esse texto, e você leitor, não conte nada pra eles, por favor, ok? Fica só entre nós).

Já falamos disso exaustivamente mas não cansamos, enquanto a Band não cansa, nós também não cansamos. Estamos falando do Show da Fé que está localizado no meio e no momento crucial do horário nobre, que vai “fazer sala”, ou alavancar a linha de shows. Mas acredite, apesar de isso parecer um fator óbvio e evidente para todo o público, de que prejudica diretamente toda e qualquer atração e investimento na linha de shows, a Bandeirantes conta com milhões de diretores e executivos que não demonstram possuir a mínima capacidade de pensar e propor uma grade de programação que não conte com R.R. Soares no horário nobre e que conte com alguma atração para conseguir anunciantes e um pouco de audiência que seja, para a emissora não ficar no traço abismal, perdendo para a TV Cultura, Rede TV e companhia bela. Me expliquem, qual o motivo da existência de tantos diretores e executivos ganhando bons salários em dia, para elaborarem uma grade de programação tão medíocre e nada competitiva como essa, para uma emissora de TV aberta de 52 anos? Para elaborar esse tipo de grade de programação atual e fraquíssima, não precisava gastar dinheiro pagando salário em dia pra muito(a) diretor(a) da Band, porque uma grade amadora como essa, tem gente que consegue montar de graça. Supostamente, os diretores que estão cuidando da programação da Band são altamente preparados e capacitados para ocuparem tal função, porém, o que é percebido é que está faltando vontade de acertar. Que programa você acha que vai dar certo sempre recebendo do show do traço, digo, da fé? E o mais incrível é que existem momentos que R.R. Soares compete com ele mesmo, porque as vezes está no ar simultaneamente em diversas emissoras. Se sempre prejudica a audiência da linha de shows da Band, que poderia ser muito melhor se não fosse antecedida pelo tele-culto, porque ninguém da Band pensa em cobrar alguns milhões a mais do missionário pelo horário? Na igreja dele não se operam milagres? Então, que tal multiplicar a quantia paga para o horário nobre da Bandeirantes (o segundo maior grupo de comunicação do país)? Que tal o missionário R.R. Soares pagar para a Bandeirantes pelo seu horário nobre, o mesmo valor que a Igreja Universal paga pela madrugada da Record TV? Mas nós sabemos também que o problema de a Band continuar necessitando recorrer a isso em vez de fazer televisão de verdade, que atraia anunciantes e audiência, não é necessariamente responsabilidade apenas de seus diretores, mas sim também da cabeça, da alta cúpula da emissora, que demonstra ter perdido a mão ou não ter propósitos, não ter ambição e nem noção de imagem corporativa. Quando a cabeça funciona bem, o corpo também funciona bem, mas se o corpo é acéfalo, pode acontecer de chegar um diretor ou executivo e determinar algo que ele tirou do além, e depois chegar outro indivíduo e determinar outra ideia oposta, e aí, quem obedecer ou o que fazer mesmo? Entendem? Pelos erros conhecidos por todos que acompanham a programação da emissora, há muito tempo se demonstra não existir um trabalho em equipe, em conjunto, sincronizado, profissional, padrão, com objetivos e metas traçadas, com propósitos e com planejamento. Sempre ficamos sabendo que entra diretor e sai diretor e os mesmos equívocos são vistos se repetirem. Sendo assim, muitas vezes uma ideia que poderia ser boa acaba sendo abortada porque, de repente apareceu um novo diretor que tem um novo plano inovador e mirabolante na teoria, mas na prática, o que vemos é que continua tudo como sempre esteve. O anúncio da estreia dessa nova novela portuguesa, Ouro Verde, era uma ocasião perfeita para a Band surpreender a todos e colocar essa produção no horário das 21h como uma dobradinha de novelas, após a série turca, Minha Vida. Assim, não seria interrompida a exibição das temporadas da trama turca e poderia mantê-la no ar até o fim de sua 4ª temporada e de quebra, estreava um novo horário para dramaturgia na Band, no horário nobre, com uma boa produção premiada que pode conquistar público e anunciantes brasileiros, justamente por ter artistas brasileiros em seu elenco. E o R.R. Soares poderia muito bem ser transferido para a madrugada, já que a emissora não pode abrir mão da quantia paga por ele, o Show da Fé poderia muito bem ser exibido no lugar da reprise de Os Donos da Bola São Paulo na madrugada. E os anunciantes que a novela no horário nobre conseguisse, poderiam cobrir caso o missionário decidisse diminuir o valor pago por conta de sua transferência para a madrugada. Mas como vemos que são as coisas na Bandeirantes, sabe quando que os diretores e executivos dela vão pensar em uma ideia estratégica com relação a isso?

É lamentável ver um projeto e um investimento tão bom e interessante como O Aprendiz Na Band colher resultados tão ruins e desanimadores em audiência. É muito difícil acreditar que haverá uma nova temporada do programa.

É justamente pelo fato de sermos fãs da Band que somos críticos severos em relação aos erros dos diretores e da alta cúpula, porque reconhecemos o potencial da emissora e do grupo de comunicação (que era para estar disputando décimos de audiência, alternando a vice-liderança com Record TV e SBT), e ter resultados ruins como esses é motivo de vergonha. É certeza absoluta de que o seu João Jorge Saad estaria profundamente decepcionado com os resultados dessa Band atual (baseados na maneira como percebíamos a gestão dele), mas certamente ele não estaria inerte, quando estivessem vindo com a farinha, ele já estaria voltando com o bolo pronto. Mas ainda temos muita esperança na ação das irmãs Saad.

E você, leitor, acha que a culpa da audiência baixa do programa é de quem, especificamente? Do Roberto Justus? Do desgaste do formato do programa? Ou da estratégia de programação da emissora? Deixe sua opinião nos comentários do site, que utiliza o sistema “Disqus”.

O texto contido nesta publicação não reflete, necessariamente, a opinião de todo o Fã-Clube Band.***