BAND apresentará ao mercado publicitário, nesta terça (27), o seu novo perfil e sua nova programação para 2018

De acordo com o colunista Flavio Ricco, do UOL, a Rede Bandeirantes de Televisão promove, nesta terça-feira (27/02), o evento de lançamento de sua nova programação 2018 ao mercado publicitário. O evento será realizado na Casa Bisutti, em São Paulo.

Neste evento, poderemos ter uma noção das novas atrações que vão estrear na grade do canal nos meses de março, abril e também nos meses seguintes do ano.  Evidentemente que, no decorrer de 2018, poderão acontecer alterações nesses planos, assim como foi em 2017.

Já é sabido alguns detalhes dessas atrações do “pacote” que é o novo conceito de programação da emissora para este ano.

O site Notícias da TV de Daniel Castro, do UOL, adiantou que a transmissão da Copa do Mundo na Russia não consta no roteiro do evento de lançamento da programação 2018 da Band.

A decisão de desistência da transmissão da Copa do Mundo representa o começo da mudança de perfil e foco da programação da emissora. No final de 2017, ocorreu uma reestruturação necessária da cúpula da emissora, onde alguns dos diversos executivos e vice-presidentes do canal, foram demitidos, como Marcelo Meira e o argentino Diego Guebel.

Vale ressaltar que, após a transmissão da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a Band obteve um bom faturamento, porém, no ano seguinte, o país entrou em uma grave recessão econômica, e a Band precisou realizar um série de cortes de gastos, e nesses cortes, a produção de conteúdos próprios da emissora foram reduzidos ao extremo, continuando apenas com alguns programas realizados em parceria com produtoras ou de modo terceirizado. As áreas mais afetadas foram do entretenimento e linha de shows, por causa da visão do diretor argentino Diego Guebel, que fez com que a programação se tornasse bastante segmentada e com pouco apelo popular. Também começaram a ocorrer diversos alugueis de horários para concessionários, que, apesar de renderem algum dinheiro em caixa para a emissora, acabam afugentando telespectadores, anunciantes e audiência.

Além do mais, ao longo da “era Diego Guebel” no comando do artístico e de programação da Bandeirantes, foram fortalecidos apenas alguns pilares de programação da emissora, que, há muito tempo, foram o carro-chefe do canal, como por exemplo, a transmissão de futebol brasileiro e algumas outras modalidades esportivas, muitas delas sendo iniciativas do saudoso Luciano do Valle. Acontece que, o cenário para uma televisão comercial nos dias de hoje, é bastante diferente do cenário que a Band estava inserida no final da década de 80 e durante a década de 90, onde a emissora alcançou bastante prestígio junto ao público, em sua maioria, masculino, telespectador de futebol. O cenário atual para a televisão aberta, exige que uma emissora comercial como a Band tenha uma postura versátil, e que, além de ter uma capacidade de produzir conteúdos próprios, precise também oferecer uma programação eclética, que consiga abranger públicos variados. Então atualmente a Band está em uma situação em que não seria inteligente  “vender a alma” para apenas garantir os direitos de transmissão de um evento temporário como a Copa do Mundo. Você, leitor e telespectador que é fã de futebol e esportes, pode argumentar que a transmissão desse evento faz parte da tradição que a emissora construiu ao longo do tempo com o público, porém cabe a nós analisarmos de uma maneira mais prudente e realista, em favor da saúde e estabilidade comercial do canal. Para qualquer outra emissora, com exceção da Globo que domina e detém os direitos oficiais de diversos eventos e segmentos esportivos que rendem audiência, não é viável concentrar os investimentos em direitos de transmissão de um evento temporário, que, pode sim gerar um certo faturamento e audiência alta durante a copa, mas, depois que a Copa do Mundo acaba, as dificuldades e problemas na área financeira e comercial continuam existindo, uma vez que uma emissora como a Band dedicou em grande parte e, por muito tempo, a atenção e investimentos no segmento esportivo; e fazendo apenas alguns investimentos pontuais em produções realizadas em parceria com produtoras, como foi o caso dos formatos estrangeiros que a Band trouxe ao longos dos anos que transmitiu futebol brasileiro.

Contudo, é melhor que a Band dê maior atenção para que volte a ter capacidade de realizar produções próprias que rendam anunciantes, faturamento e audiência, a longo prazo, do que se esforçar para não ter a certeza de que iria conseguir comercializar, em tempo, todas as cotas de patrocínio para a sua transmissão da copa, além de faturar e alcançar uma alta audiência durante apenas um pequeno período do ano, que é o da Copa do Mundo.

De acordo com uma análise do colunista Flavio Ricco, do UOL, é importante ponderar sobre uma questão a respeito do mercado de direitos esportivos (como o futebol brasileiro e a desistência da Band em continuar apostando apenas nesse filão). Na coluna, Flavio Ricco destaca que o Brasil, desde 2015, vive o mais longo e agudo período recessivo de sua história, e como consequência disso, o bolo publicitário apresenta queda contínua ao longo deste tempo. Mas, segundo o colunista, quem parece não enxergar tais dificuldades são as agências de marketing esportivo, que nesta ocasião, o colunista as descreve como “gulosas”.

O colunista do UOL também se refere a alguns presidentes de clubes de futebol ou federações, interessados apenas em “estimular” uma “concorrência” entre canais de televisão (como se fosse possível alguma outra rede de televisão aberta do Brasil conseguir disputar com a Globo nesse âmbito de direitos esportivos), e como se esses presidentes entendessem que esses canais de televisão são dirigidos por irresponsáveis ou loucos, prontos para rasgar dinheiro.

 

Como exemplo, podemos citar a situação da extinta Rede Manchete, que no ano de 1998, investiu pesado, mesmo sem muitas condições naquele momento, em uma super transmissão da Copa do Mundo de 1998, na França, porém, o detalhe é que quase todas as outras emissoras também iriam transmitir o evento, mas nem todas as outras redes estavam na situação financeira crítica que a TV Manchete já se encontrava. Ainda depois desse investimento “irresponsável” que o Grupo Bloch realizou para transmitir a copa de 1998, também foram investir na produção de uma novela sem haver a certeza de que seria uma história que realmente conquistaria uma boa audiência. O resultado todos já conhecem.

Voltando ao assunto “Novo conceito de programação da Band para 2018”, o novo vice-presidente, Andre Aguera, opta por uma reorientação da programação. A emissora agora apostará mais em produções próprias voltadas para toda a família brasileira. Em março chegam o Melhor da Tarde com Catia Fonseca, o matutino Superpoderosas, também voltado ao público feminino, que por anos foi “desprezado” na programação da Band, por conta de seus antigos diretores e executivos. Além disso, também está sendo preparado um novo programa dominical na linha de shows para  Jose Luiz Datena, onde será melhor trabalhado e desenvolvido o seu potencial como comunicador, que já foi aproveitado em outras ocasiões, na própria Band, como o game-showQuem Fica Em Pé?“, em 2012. Para o novo programa de Datena, que vai se chamar “Agora É Com Datena“, também foi adquirido os direitos do formato israelense “Raid The Cage” (Ataque à Gaiola), que já fez sucesso em diversas TVs do mundo, e que será um dos quadros do programa de Datena no Brasil. Provavelmente essa aquisição também será destaque na festa de lançamento da programação 2018 da Band.

A estratégia é abrir o leque de opções de grade e de receitas publicitárias. Com programas mais duradouros e muito mais baratos do que uma Copa do Mundo, a emissora pode atrair mais anunciantes. Com o mesmo investimento, pode fazer muito mais dinheiro.

A pergunta que alguns fizeram era: “mas ‘o mesmo investimento’, com que dinheiro?”; simples, o mesmo dinheiro que teria de ser utilizado para garantir os direitos de transmissão da Copa do Mundo na Russia.

Vale destacar que, mesmo sem a confirmação de que a Band iria ou não transmitir a copa, outras emissoras concorrentes como Record TV e SBT também não demonstraram interesse em transmitir o evento.

Nós estamos buscando uma grade que atinja todos os integrantes da família. É um novo conceito de programação para este ano“, disse ao Notícias da TV no início deste mês o novo diretor de Conteúdo da Band, Guillermo Pendino.

Apesar de não ter os direitos de transmissão dos jogos, a Band não irá ignorar a Copa. A exemplo do que aconteceu em 2006, no Mundial da Alemanha, estão em estudos novas mesas-redondas para analisar as disputas, além de reforço de cobertura nos programas esportivos e telejornais.

E apenas para fechar esse assunto, recentemente na coluna de Flavio Ricco, foi divulgada a notícia de que a Band, nessa nova fase voltada a fazer uma programação para toda a família, possui um novo projeto que também visa aproveitar o potencial de comunicador do apresentador Milton Neves, com um novo programa nas noites de domingo, especificamente no lugar da sessão de filmes “Domingo no Cinema“. O projeto nada mais é do que a reedição do antigo “Show Do Esporte“, onde será mesclado esportes, variedades e jornalismo.

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